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07.12.2011


Gilson Berneck
Gilson Berneck é diretor-presidente da fabricante de painéis e serrados Berneck, com sede em Araucária (PR).
  » Indústria moderna e competitiva

É assim que Gilson Berneck, diretor-presidente da fabricante de painéis e serrados Berneck, com sede em Araucária (PR), vê este segmento no País. “O Brasil é um país que tem fábricas de última geração”, define em entrevista concedida com exclusividade à Revista Móbile no início de outubro. E pontua, a respeito do segundo sítio da empresa, em Curitibanos (SC), com início de produção transferido deste final de ano para janeiro devido a um atraso no fornecimento de energia por parte da companhia local: “Em termos de tecnologia, a fábrica de Curitibanos é o que existe de mais moderno”. Na entrevista a seguir, Gilson Berneck revela por que, além de falar dos projetos futuros da empresa e fazer uma leitura aguçada da evolução e dos rumos do setor brasileiro de painéis.



Revista Móbile | Como está a finalização das obras na unidade de Curitibanos?

Gilson Berneck | Iniciamos no começo de 2008. Escolhemos Curitibanos fundamentalmente por causa da matéria-prima. Em outros locais teríamos de trabalhar com eucalipto. Santa Catarina é o local mais próximo e tem disponibilidade de floresta de pinus. Tinha. Agora já não vai mais ter porque outros se instalaram. E nós também. É um projeto grande. Na época, começaria com uma fábrica de MDP. Fazíamos MDP aqui [em Araucária] e estávamos começando com o MDF. Aí houve a primeira mudança. A capacidade de MDP se elevou muito no mercado. Então mudamos para o MDF, que estava previsto para uma segunda fase. Veio a crise de 2008 e decidimos postergar por um ano o início da fábrica. Neste período, surgiu a venda da Tafisa, que estudamos. Mas sabíamos que a Arauco queria muito comprar a Tafisa – para eles era muito mais importante do que para nós, que já tínhamos um projeto a meio caminho, que teríamos de parar para comprar a fábrica. Então achamos melhor que eles comprassem. Declinamos de fazer uma oferta final e decidimos retomar o projeto. Para nós foi uma decisão muito boa. Na verdade compraríamos uma fábrica usada, teríamos de investir para melhorar e deixaríamos de lado o nosso projeto. Ficou bom para todo mundo.


Móbile | E, neste momento, em que estágio está o projeto?

Berneck | A fábrica está em finalização. Já testamos o funcionamento da caldeira, que é uma parte do negócio muito grande, e estamos testando todos os equipamentos. Estes testes devem se estender pelos próximos dois meses. Decidimos fazer a primeira chapa em janeiro. Tivemos um problema com o fornecimento de energia pela Celesc, que atrasou. Então marcamos, em princípio, para 29 de janeiro. A inauguração oficial deve ser em março. Em termos de tecnologia é o que existe de mais moderno. Esteve lá o presidente da Siempelkamp, que está acostumado a ver fábrica no mundo inteiro. Ele disse: “Eu não vi nada igual”. Colocamos o que existe de mais adiantado em tecnologia em todos os sentidos, também de economia de resina. Estamos colocando uma tecnologia nova, que garante redução de consumo de energia em 25%. Temos um sistema de vapor que elimina a necessidade de tratamento químico nos resíduos das fibras. Ecologicamente é o que existe de mais moderno. É um investimento grande? É, mas quisermos fazer o que existia de melhor.


Móbile | Então, com a inauguração da unidade, esta vai ser a fábrica de painéis mais moderna do Brasil?

Berneck | Do Brasil, com certeza absoluta. E quem sabe do mundo, com estes detalhes que pusemos lá. Estou bem empolgado. A própria caldeira é uma indústria. Um prédio de quase 40 metros de altura. Aqui [em Araucária] temos uma também, mas lá é mais moderna. Queima em suspensão, não produz cinza. Ela queima 100% do material, 99,8%.


Móbile | É um processo muito limpo.

Berneck | É. Aqui, por exemplo, temos uma caldeira fantástica, mas ela tem sobra de 4% de cinza. Em um volume grande de combustível, gera bastante cinza, que vendemos para o grupo Votorantim. A fábrica de Araucária é grande, integrada, tem madeira serrada, MDP, MDF, e também a cogeração de energia. Cogeramos aqui 12 megawatts de energia. Em Curitibanos serão 15 megawatts. Mais ou menos metade do que é consumido, nos dois casos. Mas Curitibanos será uma fábrica ainda mais moderna. É a vantagem do planejamento. Aqui temos duas portarias, lá teremos uma. Aqui temos quatro expedições, lá serão duas. Tudo é custo. Lá então será metade. De área construída até o momento temos em torno de 50 mil metros quadrados. O terreno é grandioso. Temos cerca de 300 hectares de terra em volta da indústria.


Móbile | Com foco em futuras expansões?

Berneck | Não só isso. Por exemplo, o terreno da indústria corresponde a cerca de 100 hectares. Mas temos reflorestamento em volta. A área não fica dentro da cidade. Aqui em Araucária fomos crescendo junto com a cidade. Lá estamos a uns seis ou sete quilômetros. Então procuramos comprar áreas em volta e já reflorestar. Agora já estamos na segunda etapa do projeto, que é a serraria. Compramos todo o maquinário. Concluímos as negociações em setembro. Nossa previsão é de que funcione em outubro do ano que vem. Em 12 meses estará pronta.


Móbile | A previsão quanto à segunda etapa do projeto vai se manter então.

Berneck | Não vai atrasar porque está tudo pronto, é mais fácil. Esta primeira fase é difícil. Saiu do zero. Se não houvesse o atraso da energia, creio que funcionaríamos em setembro. Não há nada tecnologicamente superior ao que estamos fazendo lá. Então é claro que teremos ganhos. Às vezes é preferível investir um pouco mais e ter estes ganhos.


Móbile | Vocês fizeram um cálculo de quanto terão de retorno?

Berneck | Fizemos. Agora, se você pega uma época de crise... Acho que estamos em um momento altamente competitivo. Muito difícil. Os preços estão muito defasados quanto ao nível em que deveriam estar. Por exemplo, são números que tenho bem claros porque na sexta-feira [30/9] tivemos uma reunião com a Associação dos Fabricantes de Móveis de Arapongas (Sima): o Estado de São Paulo criou um incentivo, desde março, que vai reduzindo o ICMS de 12% para 7% para as fabricantes de painéis locais que vendem para o Estado. Em contrapartida, o moveleiro de lá tem 5% a menos de impostos. Então, fizemos um pleito ao Estado do Paraná, junto com o Sima, solicitando isonomia, senão a indústria paranaense vai sair perdendo. E o Estado foi muito ágil. Tivemos o pleito atendido no início de setembro. Entramos com o pedido em junho. O primeiro contato, fizemos sozinhos. Depois reunimos o Sima. Agora o pessoal do Sima está pedindo o repasse: “Vocês vão recolher 5% a menos, têm de repassar para nós”. Eu sempre digo que o pleito é legitimo. Só que estamos no meio de um processo de aumento de preço.


Móbile | Que já estava previsto?

Berneck | Já estava previsto. É o que disse para eles: nosso preço, de novembro de 2008 para agosto de 2011, precisaria subir 29,6% para se equiparar com três anos atrás.


Móbile | É que a crise forçou os preços, não é?

Berneck | Claro que forçou. Daí, a entrada de muito mais produto no mercado fez com que os produtos baixassem. E, nestes três anos, a mão de obra subiu 20,5%, a energia 19,4% e o gás 16%. A resina até baixou um pouquinho. Mas agora em outubro vai subir. Tudo subiu e nosso produto precisa subir 30% para chegar ao mesmo preço.


Móbile | Sem considerar nenhum ganho?

Berneck | Nenhum. Então eu disse para eles: “Vocês estão fazendo um pleito que é legitimo, mas precisamos subir mais. E muito mais. A realidade é esta”. Estou falando pela Berneck, mas esta necessidade é de todos. Ninguém faz mágica.


Móbile | E este aumento vem quando?

Berneck | Este aumento vai ter de vir gradativamente. Já deveria estar acontecendo. Quero que a fábrica de móveis fature bastante e ganhe dinheiro. Se não ganhar, é ruim para nós. Agora, se compararmos investimento versus rentabilidade, o setor de painéis está hoje muito mal. Estamos com 1/3 do que ganhávamos na média dos últimos cinco anos. Menos em 2010, que foi relativamente bom. Mas hoje a rentabilidade não é 1/3 do que era. Deixou de ser um negócio tão rentável.


Móbile | O que falta hoje para o setor?

Berneck | As capacidades aumentaram muito. Os players têm conceitos diferentes, necessidades diferentes e todos são grandes. E são em maior número. Não é que existe acordo. Não existe nada. É porque a minha necessidade é igual a do outro. Temos um custo alto. Antigamente, há poucos anos, como os fabricantes estavam no ramo há mais tempo, o que acontecia? Pegavam uma época de menos oferta e faziam manutenção. Então, todo mundo sobrevivia com rentabilidade boa. Aí vieram os novos e mudaram esta dinâmica.


Móbile | Em relação às movimentações de mercado, a gente ouve da Berneck: “O senhor Gilson não vende a empresa...”.

Berneck | Não, não vendo. E outra coisa que sempre deixo claro: não temos interesse em comprar ninguém. Nunca foi nosso perfil. Na Tafisa, nós estudamos porque tínhamos um fundo de pensão que queria. Mas, graças a Deus, não deu certo.


Móbile | Seria mais caro organizar uma fábrica que começar uma nova?

Berneck | Muito mais. Além dos incentivos que recebemos em Santa Catarina. Aqui [em Araucária] já não tem mais incentivo, porque já se passaram dez anos.


Móbile | Vocês tem um investimento grande também em ativos florestais, não têm?

Berneck | O ativo florestal é um negócio dentro do negócio.


Móbile | E em quanto tempo se corta uma árvore hoje?

Berneck | Trabalhamos hoje com corte raso de 15 anos. Se você me perguntasse há cinco anos, eu diria “não, o negócio é fazer desbaste”. Hoje não fazemos mais. Plantamos e colhemos.


Móbile | O que mudou em termos de conceito?

Berneck | Boa pergunta. Antigamente você tinha, para serrar uma tora, uma serra de fita. A tora precisava ser grossa para que as tábuas rendessem. Perdia-se muito tempo. Tinha de valer a pena. Era um conceito que vinha de 100 anos. O que mudou? A tecnologia. Hoje, uma serra regula tora por tora. Nossa serraria aqui é uma coisa fantástica. É tudo computadorizado. E se aproveita tudo. A casca da tora vai cogerar energia. O cavaco é matéria-prima para MDP ou MDF. Na verdade, 75% da floresta vão para os painéis. Antes era 70% serraria e 30% painel, porque você só visava à tora grossa. O ganho foi exponencial. A área necessária é muito menor.


Móbile | Hoje quanto vocês têm de comprar fora?

Berneck | Aqui no Paraná temos floresta para atender 50% da nossa necessidade. Em Santa Catarina temos pouca floresta neste momento. Nosso projeto é de a partir do ano que vem começas a comprar terra para plantar floresta. Esta é nossa próxima meta. Mas temos muitos parceiros em Santa Catarina. Gente que tinha serraria, que tinha indústria, que usava só madeira, então não está usando e vai vender para nós. Porque vamos comprar a fina e a grossa. Para eles é vantagem, para nós também. Aqui [em Araucária] nós temos 50%, lá [em Curitibanos] com 25% estaremos satisfeitos. A necessidade é menor. Porque a oferta de terceiros é maior. Aqui não tinha cultura de plantadores de floresta. Lá já existe esta cultura. Eram madeireiros fortes. E essas serrarias são antigas, não têm tecnologia. Por exemplo, estamos investindo R$ 120 milhões para montar a serraria. Sem falar na caldeira, em que investimos cerca de R$ 60 milhões. A serraria, por si, não é um negócio interessante. Mas dentro do conjunto é um negócio bom. Porque permite ter fornecedores mais comprometidos com a empresa, já que compramos toda a madeira. Então a serraria dá poder de barganha.


Móbile | Vocês estão com quantos hectares de floresta?

Berneck | São 62 mil hectares de terras destinadas a florestas. Destes, 8 mil ficam em Mato Grosso, onde temos 4 mil de plantio de teca e 4 mil de reserva nativa. Temos 54 mil hectares no Paraná, sendo 26 mil efetivamente plantados.


Móbile | Qual a meta de ativos florestais para Santa Catarina?

Berneck | Como em Santa Cataria a produção será cerca de 30% maior que em Araucária, e como naquela unidade vamos precisar de metade do total proveniente de áreas próprias, em uma conta rápida, precisaríamos de algo entre 20 mil e 15 mil hectares.


Móbile | E o investimento? A unidade de Curitibanos como um todo, está absorvendo um orçamento em torno de R$ 500 milhões, não é?

Berneck | Era. Nesta primeira etapa, já estamos investindo em torno de R$ 350 milhões. Na serraria, mais R$ 120 milhões. E ainda tem a próxima [terceira] etapa, para 2013 ou 2014, que é a nova planta de MDP. Aí eu não sei dizer ainda de quanto será o orçamento. Mas só até aqui já foram R$ 470 milhões. Vai passar dos R$ 500 milhões.


Móbile | Fora os investimentos nos ativos florestais?

Berneck | Fora os ativos florestais.


Móbile | E como vocês estão fazendo estes investimentos?

Berneck | Temos BNDES e financiamento via os próprios fornecedores de máquinas e equipamentos, por meio de bancos europeus de fomento, por exemplo.


Móbile | E para os ativos? Como vocês vão captar?

Berneck | Para os ativos tem de sair do resultado mesmo. Temos alguns ativos fixos de que vamos dispor para isso, para venda ou mesmo troca direta por ativos florestais. Tem mais dinheiro para colocar. Mas nós vamos ver de onde virá. processo longo. Nos próximos cinco ou seis anos que vamos investir nisso.


Móbile | Em termos de recursos, quanto isso deve dar?

Berneck | Em torno de R$ 90 milhões ou R$ 100 milhões. Mas um ativo em torno de 15 mil hectares, mesmo de floresta nova, custaria cerca de R$ 250 milhões sem estas operações envolvendo troca de ativos. Tem mais dinheiro para colocar. Mas nós vamos ver de onde virá. É um processo longo. Nos próximos cinco ou seis anos que vamos investir nisso.


Móbile | O senhor pensa em abrir capital?

Berneck | Não penso em abrir. Eu já tive sócio e não tenho queixa nenhuma. Mas ao abrir o capital, você passa a ter gerência de diversos sócios. Eu sempre digo aos meus filhos: não há necessidade de abrir capital. Vai fazendo dentro da geração de resultado da própria empresa. Já estudei abrir. Fizemos estudo porque os bancos vêm e querem vender. Todo mundo quer vender, nem que seja a ilusão. E a gente às vezes embarca. E, depois, eu li que nos Estados Unidos há milhares de empresas familiares que não têm capital aberto, e o negócio vai muito bem. Enquanto pudermos, vamos tocando fechado. Eu mesmo não vou abrir. Só se meus sucessores decidirem depois.


Móbile | E como é ver os filhos envolvidos com o negócio da família?

Berneck | É altamente satisfatório. Tenho três filhos. Dos três, dois estão aqui. Eu acho que é uma grande vitória. E tenho um genro também aqui. Sempre digo o seguinte: “Quer queiram, quer não, vocês são herdeiros. Se quiserem cuidar do negócio de vocês, têm de entender. Senão vão depender 100% dos outros”. A Graça [Berneck] está na área comercial e de marketing. Gosta do que faz. Se for para dar nota, dou nota 10. Da mesma forma o filho [Daniel Berneck, na produção], e o genro [Fernando Gnoatto, na unidade de negócios serrados], que veio de família madeireira.


Móbile | O senhor tem um plano de sucessão?

Berneck | Vou lhe falar o que falo para eles. Vou trabalhar no mesmo ritmo até os 85 anos. Depois, vou diminuindo devagar. Não pretendo parar. Acho que parar é a pior coisa que deve acontecer.


Móbile | A crise mundial deve interferir nos planos da Berneck?

Berneck | Não tem o que mudar. O MDF é um fato. Está começando em janeiro. A serraria é um fato número dois. Já compramos o maquinário. E vejo a importância de começar o quanto antes por causa desta sinergia de suprimento. E também porque o mercado mundial está bem aquecido. O próprio mercado interno está carente de madeira serrada. Estamos vendendo tudo o que produzimos. A margem é baixa, mas está bom. Dentro do conjunto está ok. Então, estes dois passos estão tranquilos. No próximo passo, que é a linha de MDP, só vamos tomar a decisão da compra daqui a seis ou sete meses. Então está muito cedo para dizer. Eu posso postergar por três, seis, oito meses, um ano. Depende da dimensão desta crise. Depende do mercado interno, do que vai acontecer. Então, temos esta possibilidade, de postergar um pouco.


Móbile | O senhor acredita que nosso mercado interno vai dar conta?

Berneck | De absorver tudo o que está explodindo. Mas isso eu tenho de dizer, a capacidade está aumentando muito rapidamente. Não é bom. Aí é capacidade demais.


Móbile | E em linhas gerais, como o senhor avalia a evolução do mercado de painéis no País?

Berneck | A grande evolução do painel foi a substituição da prensa de ciclo pela prensa contínua. E isso ocorreu nos últimos 10 ou 12 anos. A prensa contínua propicia controle absoluto sobre a fabricação do produto. Tanto que antigamente chamávamos de aglomerado, e hoje é o MDP. Hoje temos um produto com a melhor tecnologia do mundo. O Brasil é um País que tem fábricas de última geração. Este é um grande passo. Temos uma indústria altamente competitiva. Se tivermos um dólar um pouco melhor, poderemos exportar. Isso vai ajudar o MDF, por exemplo.


Móbile | Exportação para quais mercados?

Berneck | O mundo inteiro e a própria China. Europa não, porque ali há uma indústria de painéis que é a maior do mundo. Mas Estados Unidos sim, porque as fábricas são obsoletas. Vejo um cenário bom para frente.


Móbile | Como o senhor vê a Berneck posicionada em cinco anos?

Berneck | Vamos fazer 60 anos no ano que vem.


Móbile | Junto com a fábrica nova. Vai ter comemoração?

Berneck | Vai ter sim, 60 anos em janeiro. Eu acho que a Berneck vai estar sempre situada entre as três, quatro melhores. Isso não tem muita importância para nós. Só que é um fato. Queremos sempre ter bom produto, bom custo, boa relação com os clientes, uma estrutura com gente boa, que nós temos. Essas são as nossas metas. De estar bem classificados, não temos pretensão. É uma consequência do trabalho. Acho que é manter, não perder posição. Mas temos consciência de que grupos fortíssimos, como Arauco e Duratex, podem adquirir outros e se tornar maiores. Não é nossa ambição. Vamos devagarzinho, passo a passo, firmes. Esta é a ideia.


Móbile | E passando toda esta credibilidade.

Berneck | E passando isso para os filhos. Meu filho tinha sempre uma visão favorável a abrir capital. Aí ele foi fazer um MBA nos Estados Unidos e um professor lhe fez mudar de ideia: “Olha, Daniel, quem tem sócio tem patrão. Se não precisar, mantenha fechada”. A vida é assim. Tem de ser flexível. Não vou dizer que não vou abrir. Não posso dizer que não vou fazer. Eu não quero. E vou trabalhar dentro da minha convicção. Mas quem sabe um dia. Até já propus: se quiser fazer uma sociedade meio a meio eu faço. Mas sem perder o controle. Mesmo assim é preferível estar sozinho. É preferível.


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