É assim que Gilson
Berneck, diretor-presidente da fabricante de painéis e serrados
Berneck, com sede em Araucária (PR), vê este segmento no País. “O
Brasil é um país que tem fábricas de última geração”, define
em entrevista concedida com exclusividade à Revista Móbile
no início de outubro. E pontua, a respeito do segundo sítio da
empresa, em Curitibanos (SC), com início de produção transferido
deste final de ano para janeiro devido a um atraso no fornecimento de
energia por parte da companhia local: “Em termos de tecnologia, a
fábrica de Curitibanos é o que existe de mais moderno”. Na
entrevista a seguir, Gilson Berneck revela por que, além de falar
dos projetos futuros da empresa e fazer uma leitura aguçada da
evolução e dos rumos do setor brasileiro de painéis.
Revista Móbile
| Como está a finalização das obras na unidade de Curitibanos?
Gilson Berneck |
Iniciamos no começo de 2008. Escolhemos Curitibanos
fundamentalmente por causa da matéria-prima. Em outros locais
teríamos de trabalhar com eucalipto. Santa Catarina é o local mais
próximo e tem disponibilidade de floresta de pinus. Tinha. Agora já
não vai mais ter porque outros se instalaram. E nós também. É um
projeto grande. Na época, começaria com uma fábrica de MDP.
Fazíamos MDP aqui [em Araucária] e estávamos começando com o MDF.
Aí houve a primeira mudança. A capacidade de MDP se elevou muito no
mercado. Então mudamos para o MDF, que estava previsto para uma
segunda fase. Veio a crise de 2008 e decidimos postergar por um ano o
início da fábrica. Neste período, surgiu a venda da Tafisa, que
estudamos. Mas sabíamos que a Arauco queria muito comprar a Tafisa –
para eles era muito mais importante do que para nós, que já
tínhamos um projeto a meio caminho, que teríamos de parar para
comprar a fábrica. Então achamos melhor que eles comprassem.
Declinamos de fazer uma oferta final e decidimos retomar o projeto.
Para nós foi uma decisão muito boa. Na verdade compraríamos uma
fábrica usada, teríamos de investir para melhorar e deixaríamos de
lado o nosso projeto. Ficou bom para todo mundo.
Móbile | E,
neste momento, em que estágio está o projeto?
Berneck | A
fábrica está em finalização. Já testamos o funcionamento da
caldeira, que é uma parte do negócio muito grande, e estamos
testando todos os equipamentos. Estes testes devem se estender pelos
próximos dois meses. Decidimos fazer a primeira chapa em janeiro.
Tivemos um problema com o fornecimento de energia pela Celesc, que
atrasou. Então marcamos, em princípio, para 29 de janeiro. A
inauguração oficial deve ser em março. Em termos de
tecnologia é o que existe de mais moderno. Esteve lá o presidente
da Siempelkamp, que está acostumado a ver fábrica no mundo inteiro.
Ele disse: “Eu não vi nada igual”. Colocamos o que existe
de mais adiantado em tecnologia em todos os sentidos, também de
economia de resina. Estamos colocando uma tecnologia nova, que
garante redução de consumo de energia em 25%. Temos um sistema de
vapor que elimina a necessidade de tratamento químico nos resíduos
das fibras. Ecologicamente é o que existe de mais moderno. É um
investimento grande? É, mas quisermos fazer o que existia de melhor.
Móbile | Então,
com a inauguração da unidade, esta vai ser a fábrica de painéis
mais moderna do Brasil?
Berneck | Do
Brasil, com certeza absoluta. E quem sabe do mundo, com estes
detalhes que pusemos lá. Estou bem empolgado. A própria caldeira é
uma indústria. Um prédio de quase 40 metros de altura. Aqui [em
Araucária] temos uma também, mas lá é mais moderna. Queima em
suspensão, não produz cinza. Ela queima 100% do material, 99,8%.
Móbile | É um
processo muito limpo.
Berneck | É.
Aqui, por exemplo, temos uma caldeira fantástica, mas ela tem sobra
de 4% de cinza. Em um volume grande de combustível, gera bastante
cinza, que vendemos para o grupo Votorantim. A fábrica de Araucária
é grande, integrada, tem madeira serrada, MDP, MDF, e também a
cogeração de energia. Cogeramos aqui 12 megawatts de energia. Em
Curitibanos serão 15 megawatts. Mais ou menos metade do que é
consumido, nos dois casos. Mas Curitibanos será uma fábrica ainda
mais moderna. É a vantagem do planejamento. Aqui temos duas
portarias, lá teremos uma. Aqui temos quatro expedições, lá serão
duas. Tudo é custo. Lá então será metade. De área construída
até o momento temos em torno de 50 mil metros quadrados. O terreno é
grandioso. Temos cerca de 300 hectares de terra em volta da
indústria.
Móbile | Com
foco em futuras expansões?
Berneck | Não
só isso. Por exemplo, o terreno da indústria corresponde a cerca de
100 hectares. Mas temos reflorestamento em volta. A área não fica
dentro da cidade. Aqui em Araucária fomos crescendo junto com a
cidade. Lá estamos a uns seis ou sete quilômetros. Então
procuramos comprar áreas em volta e já reflorestar. Agora já
estamos na segunda etapa do projeto, que é a serraria. Compramos
todo o maquinário. Concluímos as negociações em setembro. Nossa
previsão é de que funcione em outubro do ano que vem. Em 12 meses
estará pronta.
Móbile | A
previsão quanto à segunda etapa do projeto vai se manter então.
Berneck | Não
vai atrasar porque está tudo pronto, é mais fácil. Esta primeira
fase é difícil. Saiu do zero. Se não houvesse o atraso da energia,
creio que funcionaríamos em setembro. Não há nada tecnologicamente
superior ao que estamos fazendo lá. Então é claro que teremos
ganhos. Às vezes é preferível investir um pouco mais e ter estes
ganhos.
Móbile | Vocês
fizeram um cálculo de quanto terão de retorno?
Berneck |
Fizemos. Agora, se você pega uma época de crise... Acho que estamos
em um momento altamente competitivo. Muito difícil. Os preços estão
muito defasados quanto ao nível em que deveriam estar. Por exemplo,
são números que tenho bem claros porque na sexta-feira [30/9]
tivemos uma reunião com a Associação dos Fabricantes de Móveis de
Arapongas (Sima): o Estado de São Paulo criou um incentivo, desde
março, que vai reduzindo o ICMS de 12% para 7% para as fabricantes
de painéis locais que vendem para o Estado. Em contrapartida, o
moveleiro de lá tem 5% a menos de impostos. Então, fizemos um
pleito ao Estado do Paraná, junto com o Sima, solicitando isonomia,
senão a indústria paranaense vai sair perdendo. E o Estado foi
muito ágil. Tivemos o pleito atendido no início de setembro.
Entramos com o pedido em junho. O primeiro contato, fizemos
sozinhos. Depois reunimos o Sima. Agora o pessoal do Sima está
pedindo o repasse: “Vocês vão recolher 5% a menos, têm de
repassar para nós”. Eu sempre digo que o pleito é legitimo.
Só que estamos no meio de um processo de aumento de preço.
Móbile | Que já
estava previsto?
Berneck | Já
estava previsto. É o que disse para eles: nosso preço, de novembro
de 2008 para agosto de 2011, precisaria subir 29,6% para se equiparar
com três anos atrás.
Móbile | É que
a crise forçou os preços, não é?
Berneck | Claro
que forçou. Daí, a entrada de muito mais produto no mercado fez com
que os produtos baixassem. E, nestes três anos, a mão de obra subiu
20,5%, a energia 19,4% e o gás 16%. A resina até baixou um
pouquinho. Mas agora em outubro vai subir. Tudo subiu e nosso produto
precisa subir 30% para chegar ao mesmo preço.
Móbile | Sem
considerar nenhum ganho?
Berneck |
Nenhum. Então eu disse para eles: “Vocês
estão fazendo um pleito que é legitimo, mas precisamos subir mais.
E muito mais. A realidade é esta”. Estou falando pela Berneck,
mas esta necessidade é de todos. Ninguém faz mágica.
Móbile | E este
aumento vem quando?
Berneck | Este
aumento vai ter de vir gradativamente. Já deveria estar acontecendo.
Quero que a fábrica de móveis fature bastante e ganhe dinheiro. Se
não ganhar, é ruim para nós. Agora, se compararmos investimento
versus rentabilidade, o setor de painéis está hoje muito
mal. Estamos com 1/3 do que ganhávamos na média dos últimos
cinco anos. Menos em 2010, que foi relativamente bom. Mas hoje a
rentabilidade não é 1/3 do que era. Deixou de ser um negócio tão
rentável.
Móbile | O que
falta hoje para o setor?
Berneck | As
capacidades aumentaram muito. Os players têm conceitos
diferentes, necessidades diferentes e todos são grandes. E são em
maior número. Não é que existe acordo. Não existe nada. É porque
a minha necessidade é igual a do outro. Temos um custo alto.
Antigamente, há poucos anos, como os fabricantes estavam no ramo há
mais tempo, o que acontecia? Pegavam uma época de menos oferta e
faziam manutenção. Então, todo mundo sobrevivia com rentabilidade
boa. Aí vieram os novos e mudaram esta dinâmica.
Móbile | Em
relação às movimentações de mercado, a gente ouve da Berneck: “O
senhor Gilson não vende a empresa...”.
Berneck | Não,
não vendo. E outra coisa que sempre deixo claro: não temos
interesse em comprar ninguém. Nunca foi nosso perfil. Na Tafisa, nós
estudamos porque tínhamos um fundo de pensão que queria. Mas,
graças a Deus, não deu certo.
Móbile | Seria
mais caro organizar uma fábrica que começar uma nova?
Berneck | Muito
mais. Além dos incentivos que recebemos em Santa Catarina. Aqui [em
Araucária] já não tem mais incentivo, porque já se passaram dez
anos.
Móbile | Vocês
tem um investimento grande também em ativos florestais, não têm?
Berneck | O
ativo florestal é um negócio dentro do negócio.
Móbile | E em
quanto tempo se corta uma árvore hoje?
Berneck |
Trabalhamos hoje com corte raso de 15 anos. Se você me perguntasse
há cinco anos, eu diria “não, o negócio é fazer desbaste”.
Hoje não fazemos mais. Plantamos e colhemos.
Móbile | O que
mudou em termos de conceito?
Berneck | Boa
pergunta. Antigamente você tinha, para serrar uma tora, uma serra de
fita. A tora precisava ser grossa para que as tábuas rendessem.
Perdia-se muito tempo. Tinha de valer a pena. Era um conceito que
vinha de 100 anos. O que mudou? A tecnologia. Hoje, uma serra regula
tora por tora. Nossa serraria aqui é uma coisa fantástica. É tudo
computadorizado. E se aproveita tudo. A casca da tora vai cogerar
energia. O cavaco é matéria-prima para MDP ou MDF. Na verdade, 75%
da floresta vão para os painéis. Antes era 70% serraria e 30%
painel, porque você só visava à tora grossa. O ganho foi
exponencial. A área necessária é muito menor.
Móbile | Hoje
quanto vocês têm de comprar fora?
Berneck | Aqui
no Paraná temos floresta para atender 50% da nossa necessidade. Em
Santa Catarina temos pouca floresta neste momento. Nosso projeto é
de a partir do ano que vem começas a comprar terra para plantar
floresta. Esta é nossa próxima meta. Mas temos muitos parceiros em
Santa Catarina. Gente que tinha serraria, que tinha indústria, que
usava só madeira, então não está usando e vai vender para nós.
Porque vamos comprar a fina e a grossa. Para eles é vantagem, para
nós também. Aqui [em Araucária] nós temos 50%, lá [em
Curitibanos] com 25% estaremos satisfeitos. A necessidade é menor.
Porque a oferta de terceiros é maior. Aqui não tinha cultura de
plantadores de floresta. Lá já existe esta cultura. Eram
madeireiros fortes. E essas serrarias são antigas, não têm
tecnologia. Por exemplo, estamos investindo R$ 120 milhões para
montar a serraria. Sem falar na caldeira, em que investimos cerca de
R$ 60 milhões. A serraria, por si, não é um negócio interessante.
Mas dentro do conjunto é um negócio bom. Porque permite ter
fornecedores mais comprometidos com a empresa, já que compramos toda
a madeira. Então a serraria dá poder de barganha.
Móbile | Vocês
estão com quantos hectares de floresta?
Berneck | São
62 mil hectares de terras destinadas a florestas. Destes, 8 mil ficam
em Mato Grosso, onde temos 4 mil de plantio de teca e 4 mil de
reserva nativa. Temos 54 mil hectares no Paraná, sendo 26 mil
efetivamente plantados.
Móbile | Qual a
meta de ativos florestais para Santa Catarina?
Berneck | Como
em Santa Cataria a produção será cerca de 30% maior que em
Araucária, e como naquela unidade vamos precisar de metade do total
proveniente de áreas próprias, em uma conta rápida, precisaríamos
de algo entre 20 mil e 15 mil hectares.
Móbile | E o
investimento? A unidade de Curitibanos como um todo, está absorvendo
um orçamento em torno de R$
500 milhões, não é?
Berneck
| Era. Nesta primeira etapa, já estamos investindo em torno de R$
350 milhões. Na serraria, mais R$ 120 milhões. E ainda tem a
próxima [terceira] etapa, para 2013 ou 2014, que é a nova planta de
MDP. Aí eu não sei dizer ainda de quanto será o orçamento. Mas só
até aqui já foram R$ 470 milhões. Vai passar dos R$ 500 milhões.
Móbile | Fora
os investimentos nos ativos florestais?
Berneck | Fora
os ativos florestais.
Móbile | E como
vocês estão fazendo estes investimentos?
Berneck | Temos
BNDES e financiamento via os próprios fornecedores de máquinas e
equipamentos, por meio de bancos europeus de fomento, por exemplo.
Móbile | E para
os ativos? Como vocês vão captar?
Berneck | Para
os ativos tem de sair do resultado mesmo. Temos alguns ativos fixos
de que vamos dispor para isso, para venda ou mesmo troca direta por
ativos florestais. Tem mais dinheiro para colocar. Mas nós vamos ver
de onde virá. processo longo. Nos próximos cinco ou seis anos que
vamos investir nisso.
Móbile | Em
termos de recursos, quanto isso deve dar?
Berneck | Em
torno de R$ 90 milhões ou R$
100 milhões. Mas um ativo em torno de 15 mil hectares, mesmo
de floresta nova, custaria cerca de R$ 250 milhões sem estas
operações envolvendo troca de ativos. Tem
mais dinheiro para colocar. Mas nós vamos ver de onde virá. É um
processo longo. Nos próximos cinco ou seis anos que vamos investir
nisso.
Móbile | O
senhor pensa em abrir capital?
Berneck | Não
penso em abrir. Eu já tive sócio e não tenho queixa nenhuma. Mas
ao abrir o capital, você passa a ter gerência de diversos sócios.
Eu sempre digo aos meus filhos: não há necessidade de abrir
capital. Vai fazendo dentro da geração de resultado da própria
empresa. Já estudei abrir. Fizemos estudo porque os bancos vêm e
querem vender. Todo mundo quer vender, nem que seja a ilusão. E a
gente às vezes embarca. E, depois, eu li que nos Estados Unidos há
milhares de empresas familiares que não têm capital aberto, e o
negócio vai muito bem. Enquanto pudermos, vamos tocando fechado. Eu
mesmo não vou abrir. Só se meus sucessores decidirem depois.
Móbile | E como
é ver os filhos envolvidos com o negócio da família?
Berneck | É
altamente satisfatório. Tenho três filhos. Dos três, dois estão
aqui. Eu acho que é uma grande vitória. E tenho um genro também
aqui. Sempre digo o seguinte: “Quer queiram, quer não, vocês
são herdeiros. Se quiserem cuidar do negócio de vocês, têm de
entender. Senão vão depender 100% dos outros”. A Graça
[Berneck] está na área comercial e de marketing. Gosta do que faz.
Se for para dar nota, dou nota 10. Da mesma forma o filho [Daniel
Berneck, na produção], e o genro [Fernando Gnoatto, na unidade de
negócios serrados], que veio de família madeireira.
Móbile | O
senhor tem um plano de sucessão?
Berneck | Vou
lhe falar o que falo para eles. Vou trabalhar no mesmo ritmo até os
85 anos. Depois, vou diminuindo devagar. Não pretendo parar. Acho
que parar é a pior coisa que deve acontecer.
Móbile | A
crise mundial deve interferir nos planos da Berneck?
Berneck | Não
tem o que mudar. O MDF é um fato. Está começando em janeiro. A
serraria é um fato número dois. Já compramos o maquinário. E vejo
a importância de começar o quanto antes por causa desta sinergia de
suprimento. E também porque o mercado mundial está bem aquecido. O
próprio mercado interno está carente de madeira serrada. Estamos
vendendo tudo o que produzimos. A margem é baixa, mas está bom.
Dentro do conjunto está ok. Então, estes dois passos estão
tranquilos. No próximo passo, que é a linha de MDP, só vamos tomar
a decisão da compra daqui a seis ou sete meses. Então está muito
cedo para dizer. Eu posso postergar por três, seis, oito meses, um
ano. Depende da dimensão desta crise. Depende do mercado interno, do
que vai acontecer. Então, temos esta possibilidade, de postergar um
pouco.
Móbile | O
senhor acredita que nosso mercado interno vai dar conta?
Berneck | De
absorver tudo o que está explodindo. Mas isso eu tenho de dizer, a
capacidade está aumentando muito rapidamente. Não é bom. Aí é
capacidade demais.
Móbile | E em
linhas gerais, como o senhor avalia a evolução do mercado de
painéis no País?
Berneck | A
grande evolução do painel foi a substituição da prensa de ciclo
pela prensa contínua. E isso ocorreu nos últimos 10 ou 12 anos. A
prensa contínua propicia controle absoluto sobre a fabricação do
produto. Tanto que antigamente chamávamos de aglomerado, e hoje é o
MDP. Hoje temos um produto com a melhor tecnologia do mundo. O Brasil
é um País que tem fábricas de última geração. Este é um grande
passo. Temos uma indústria altamente competitiva. Se tivermos um
dólar um pouco melhor, poderemos exportar. Isso vai ajudar o MDF,
por exemplo.
Móbile | Exportação
para quais mercados?
Berneck | O
mundo inteiro e a própria China. Europa não, porque ali há uma
indústria de painéis que é a maior do mundo. Mas Estados Unidos
sim, porque as fábricas são obsoletas. Vejo um cenário bom para
frente.
Móbile | Como o
senhor vê a Berneck posicionada em cinco anos?
Berneck | Vamos
fazer 60 anos no ano que vem.
Móbile | Junto
com a fábrica nova. Vai ter comemoração?
Berneck | Vai
ter sim, 60 anos em janeiro. Eu acho que a Berneck vai estar sempre
situada entre as três, quatro melhores. Isso não tem muita
importância para nós. Só que é um fato. Queremos sempre ter bom
produto, bom custo, boa relação com os clientes, uma estrutura com
gente boa, que nós temos. Essas são as nossas metas. De estar bem
classificados, não temos pretensão. É uma consequência do
trabalho. Acho que é manter, não perder posição. Mas temos
consciência de que grupos fortíssimos, como Arauco e Duratex, podem
adquirir outros e se tornar maiores. Não é nossa ambição. Vamos
devagarzinho, passo a passo, firmes. Esta é a ideia.
Móbile | E
passando toda esta credibilidade.
Berneck | E
passando isso para os filhos. Meu filho tinha sempre uma visão
favorável a abrir capital. Aí ele foi fazer um MBA nos Estados
Unidos e um professor lhe fez mudar de ideia: “Olha, Daniel,
quem tem sócio tem patrão. Se não precisar, mantenha fechada”.
A vida é assim. Tem de ser flexível. Não vou dizer que não vou
abrir. Não posso dizer que não vou fazer. Eu não quero. E vou
trabalhar dentro da minha convicção. Mas quem sabe um dia. Até já
propus: se quiser fazer uma sociedade meio a meio eu faço. Mas sem
perder o controle. Mesmo assim é preferível estar sozinho. É
preferível.