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09.11.2009


Charles Bezerra
Diretor-executivo do Gad´Innovation
  » Você sabe o que é ‘design thinking’?

Charles Bezerra, diretor-executivo do Gad´Innovation, foi um dos palestrantes do Congresso Moveleiro 2009, realizado durante a feira Salão Abimóvel, promovida em agosto, em São Paulo (SP). Na oportunidade, ele falou sobre design thinking e, logo após a palestra, concedeu uma entrevista exclusiva sobre o assunto à equipe da Móbile/eMobile. Confira:

eMobile: Você comentou sobre algumas perguntas que o empresário pode se fazer. Quais são elas?

Charles Bezerra: Muitas vezes, o espectro de perguntas que os empresários fazem é muito no sentido de ‘como vou fazer isso?’, ou seja, fica no nível da máquina. A chave é não ficar focado na pergunta ‘como fazer?’, o que ele sabe bem.
Tem perguntas mais fundamentais que são: ‘o que é que vai ser feito’, ‘para quem fazer’, ‘por que fazer’ e ‘quando fazer’. O investimento nestas perguntas tem de ser maior, já que a capacidade produtiva e tecnológica quase todo mundo consegue, quase todos têm acesso a isso. O que diferencia uma empresa é se ela se preocupa com perguntas sobre ‘para quem ela vai fazer’. Isso é a chave. ‘Como’, ‘o que’ e o ‘detalhe do por que’, ou seja, a fundamentação daquilo [que vai ser feito].

eMobile: Você comentou sobre um sistema de inovação. Como isso é possível no móvel, no setor moveleiro?

Bezerra: A gente não pode ter ações pontuais, sem continuidade. [A inovação] passa por metodologia, técnicas e métodos.
Por exemplo, imagine um agricultor que quer ter uma safra constante, ele tem que chamar um técnico da Embrapa para dizer a semente que ele tem que usar, como preparar o terreno, ou seja, buscar o conhecimento para atingir o seu objetivo. Naquela analogia de que a inovação tem muito a ver com plantar, com semear para depois colher o fruto, isso precisa ser feito corretamente, com técnica, métodos, contexto, que momento a gente está no mundo, mercados, etc. Ou seja, requer uma modelagem para fazer isso, e é um investimento em coisas intangíveis, em inteligência, no novo. Não é só a máquina que importa. [Inovação] é esta parte de inteligência, esta modelagem, a estratégia que se quer para chegar [a algum lugar]. E a gente tem as mesmas ferramentas que qualquer outro país. A gente pode competir, mas tem de ter as pessoas certas, na hora certa e fazendo estas cabeças.

eMobile: É isso que é o design thinking?

Bezerra: O design thinking é a ideia de que o design é mais do que superfície, do que forma, é uma estratégia de desenvolvimento. É uma capacidade de mergulhar na complexidade e ser criativo. Trazer criatividade e soluções. É integrar os assuntos do consumidor, do cliente final, da tecnologia, os assuntos do negócio, complementarmente para fazer uma solução. Design thinking é sair da superfície da forma e tratar questões mais estratégicas. Eu tenho visto que quando as indústrias, os líderes, vão à profundidade, têm a paciência de fazer a pergunta certa, e ir à essência da coisa, eles conseguem fazer um diferencial. Claro que tem uma meta, eles têm uma visão de futuro. Tem muita indústria que está sem uma visão de futuro. Às vezes o que eles viram na última feira é sua visão de futuro. Ele tem uma visão própria. E inovação tem de estar alinhada com a estratégia da empresa, que posicionamento eles querem, que marca eles querem, tudo isso integrado. A gente divide tudo assim, mas, na verdade, tudo isso faz parte da mesma coisa, que é o futuro. Então, inovação é: como é que [a empresa] pensa e cria o futuro? Este é o trabalho que a gente faz. A gente ajuda a empresa a criar o futuro delas.

eMobile: A inovação no design, como você comentou, deve focar o estilo das pessoas? Como elas estão se comportando?

Bezerra: É, neste projeto que a gente fez para a Abimóvel (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário), a preocupação foi neste sentido: ir além dos detalhes formais, perguntando que estilos de vida as pessoas têm, quais atividades elas fazem no ambiente. E não desenhar produtos frios para determinado espaço, para a arquitetura. A estratégia de design deste projeto foi focado nas pessoas, nas interações que elas têm no ambiente, que elas têm entre si e no espaço. E aí usar o mobiliário para suportar estas interações. Muitas vezes, o ser humano está usando a tecnologia não para se libertar, mas para ficar escravo dela, o que é um problema. Quanto ao mobiliário, tudo tem que ser pensado a serviço de quem realmente importa que são as pessoas. Quando você faz isso e coloca o foco onde deve ser, naturalmente faz mais sentido, fica melhor porque, é lógico, o que importa são as pessoas.


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